Arco Iris

Sair de casa para fazer algo que não nos apetece não costuma ser muito agradável. Para alegrar as minhas expectativas, procurei uma estação de rádio que  me fizesse descontrair e ter mais vontade de carregar no acelarador. Descobri uma ópera leve e suave, capaz de ser bela aos meus ouvidos e descobri uma imensdidão de cores unidas no céu a iluminar o meu caminho.  Sem dúvida que este pequeno momento fez a diferença, a minha pré disposição mudou, e o mundo ficou melhor debaixo daquela pequena chuva e daquele pequeno sol.
Foto: Seljalandsfoss by Brin

Dos outros

 Olho repetidamente para o mundo à minha volta. Em todo o lado, milhares de objectos inconscientes de si mesmos. São os outros. Nunca estamos sós. Em cada imagem que me alegra ou entristece o olhar, está representado um nascimento, uma história, uma situção, uma dificuldade, uma dádiva, uma qualidade, um defeito, muitas pessoas. Nunca estamos sós.

Dificil não conhecer: Top 100 da música clássica mais conhecida

Encontrei este top 100 das músicas clássicas mais conhecidas que tem grandes relíquias de memórias! Desde os mais conhecidos aos mais despercebidos compositores,  desde as composições mais cómicas às mais melancólicas, são clássicos de sempre que vale a pena ouvir e recordar...
1 Beethoven "5th Symphony"
2 Tchaikovsky "1812 Overture"
3 Mozart "Eine Kleine Nachtmusik"
4 Bach "Toccata And Fugue"
5 Rossini "William Tell Overture"
6 Pachelbel "Canon In D"
7 Strauss, Johann II "Blue Danube"
8 Orff "O Fortuna"
9 Strauss, Richard "Also Sprach Zarathustra"
10 Offenbach "Infernal Galop"
11 Handel "Hallelujah Chorus"
12 Bizet "Les Toreadors"
13 Khachaturian "Sabre Dance"
14 Beethoven "Ode To Joy"
15 Elgar "Pomp And Circumstance"
16 Grieg "In The Hall Of The Mountain King"
17 Ponchielli "Dance Of The Hours"
18 Liszt "Hungarian Rhapsody No. 2"
19 Mendelssohn "Wedding March"
20 Rimsky-Korsakov "Flight Of The Bumblebee"
21 Gershwin "Rhapsody In Blue"
22 Beethoven "Moonlight Sonata"
23 Ravel "Bolero"
24 Tchaikovsky "Dance Of The Sugar Plum Fairy" from "The Nutcracker"
25 Rosas "Over The Waves"
26 Williams "Imperial March"
27 Mozart "Queen Of The Night"
28 Beethoven "Für Elise"
29 Fucik "Entry Of The Gladiators"
30 Delibes "Flower Duet" 
31 Dukas "Sorcerer's Apprentice"
32 Copland "Hoedown"
33 Wagner "Ride Of The Valkyries"
34 Bach "Jesu, Joy Of Man's Desiring"
35 Tchaikovsky "Waltz Of The Flowers" from "The Nutcracker"
36 Bizet "Habanera"
37 Jenkins "Palladio"
38 Chopin "Funeral March"
39 Mozart "Rondo Alla Turca"
40 Mussorgsky "Night On Bald Mountain" 
41 Boccherini "Minuet"
42 Grieg "Morning"
43 Mozart "The Marriage Of Figaro Overture"
44 Sousa "The Stars And Stripes Forever"
45 Wagner "Wedding March"
46 Vivaldi "Spring" from "The Four Seasons"
47 Beethoven "Minuet In G"
48 Barber "Adagio For Strings"
49 Tchaikovsky "Dance Of The Mirlitons (Reed Flutes)" from "The Nutcracker"
50 Bach "Air On A G String" 
51 Arnaud "Bugler's Dream"
52 Bach "Cello Suite No. 1"
53 Rossini "Largo Al Factotum (Figaro)"
54 Tchaikovsky "Trepak (Russian Dance)" from "The Nutcracker"
55 Mouret "Rondeau"
56 Brahms "Lullaby"
57 Bach "Minuet In G"
58 Rachmaninov "Rhapsody On A Theme Of Paganini (18th Variation)"
59 Copland "Fanfare For The Common Man"
60 Tchaikovsky "Piano Concerto No. 1" 
61 Rossini "La Gazza Ladra (The Thieving Magpie)"
62 Beethoven "9th Symphony"
63 Brahms "Hungarian Dance No. 5"
64 Mozart "Piano Sonata No. 16 In C"
65 Handel "Arrival Of The Queen Of Sheba"
66 Tchaikovsky "Tea (Chinese Dance)" from "The Nutcracker"
67 Bach "Brandenburg Concerto No. 3"
68 Prokofiev "Peter And The Wolf: The Story Begins"
69 Tchaikovsky "Romeo And Juliet Fantasy Overture: Love Theme"
70 Verdi "La Donna È Mobile" 
71 Bach "Bourrée In E Minor"
72 Saint-Saëns "Carnival Of The Animals: Aquarium"
73 Grieg "Piano Concerto In A Minor"
74 Waldteufel "Skater's Waltz"
75 Mozart "Dies Irae"
76 Suppé "Light Cavalry Overture"
77 Debussy "Clair De Lune"
78 Tchaikovsky "The Nutcracker March"
79 Sousa "Liberty Bell"
80 Saint-Saëns "Carnival Of The Animals: Finale"
81 Tchaikovsky "Sleeping Beauty Waltz"
82 Mozart "Symphony No. 40"
83 Rossini "Barber Of Seville Overture"
84 Sousa "The Washington Post"
85 Ricketts "Colonel Bogey March"
86 Gardel "Por Una Cabeza"
87 Verdi "Anvil Chorus"
88 Strauss "Tritsch-Tratsch Polka"
89 Clarke "Trumpet Voluntary - The Prince Of Denmark's March"
90 Handel "Water Music: Suite 2 (Alla Hornpipe)"
91 Mozart "Marriage Of Figaro Wedding March"
92 Strauss "Vienna Blood"
93 Delibes "Pizzicato"
94 Mozart "Piano Concerto No. 21 In C"
95 Denza "Funiculi, Funicula"
96 Mozart "Twinkle, Twinkle Little Star"
97 Mozart "Symphony No. 25"
98 Verdi "Dies Irae"
99 Tchaikovsky "Marche Slave"
100 Strauss "Radetzky March"
E pronto aqui está. Este foi um top feito pelo site http://www.kickassclassical.com, onde também pode ser feito o download destas músicas.     

O lado bom do lado mau

É Natal, é tempo de muita gente pensar em comprar prendas por parecer mal se não comprarem e de aproveitarem para pedir coisas das quais não são merecedoras noutra altura. É tempo de receber mensagens de algumas pessoas que só se lembram de nós durante esta fase do ano e de outras que tentam aproveitar esta época tão fraternal para aproximações amigáveis que não têm qualquer fundamento ou motivo de ser. É tempo de interesse, consumismo e hipocrisia. Porque é tempo das pessoas fingirem que são muito felizes e que desejam somente o bem a toda a humanidade.
Por outro lado, pelo menos uma vez no ano as pessoas são mais solidárias perante as situações de probreza e exclusão social e há grandes campanhas para combater este tipo de problemas que ocorrem SEMPRE. Também existe vendedores de pequenas superficies comerciais à beira da falência que conseguem ter algum lucro e combater a sua crise. Mas também é a época que mais contribui para as pessoas saiam um pouco da sua rotina monótona e enfadonha e ainda existe a esperança de haver gente que vive o sentimento natalício com sinceridade.
O Natal é quando nós quizermos e eu tenho pena que essa frase só seja mesmo posta em prática no Natal... Whatever, pelo menos nem tudo é mau e há pelo menos uma vez no ano em que muitas crianças e pessoas inocentes e problemáticas têm direito a mais carinho, apoio e qualidade de vida.

Do not stand at my grave and weep

"Do not stand at my grave and weep,
I am not there, I do not sleep.
I am in a thousand winds that blow,
I am the softly falling snow.
I am the gentle showers of rain,
I am the fields of ripening grain.
I am in the morning hush,
I am in the graceful rush
Of beautiful birds in circling flight,
I am the starshine of the night.
I am in the flowers that bloom,
I am in a quiet room.
I am in the birds that sing,
I am in each lovely thing.
Do not stand at my grave and cry,
I am not there. I do not die."
 
Poema de Mary Elizabeth Frye, escrito em 1932. 

Tu mereces ser feliz

Sim, tu. Tu que mesmo sabendo que todo o ser humano é imperfeito, observas e condenas cada traço mal amado em frente ao espelho e fazes disso a tua grandeza. Porque grande é um adjectivo criado exclusivamente pelos teus olhos, e não pelas pequenas coisas que a eles se ajoelham. Tu que és capaz de transformar a tristeza no mundo inteiro e a quem ainda ninguém foi capaz de provar que é o mundo que é triste. O mundo é triste e a tristeza não é o mundo, lembra-te disso cada vez que te odeias. 
Não te esqueças que um beijo desiludido é só um beijo e que a desilusão é algo muito maior, que quando nos beija, nos fecha a porta de algum tipo de ignorância. Deixas de ser ignorante para ser experiente e isso não tem de ser ruim, nada tem de ser completamente ruim. Tu não és ruim. Ser ruim não existe. Ruim é outro adjectivo criado pelo olhar. O desaparecimento da ignorância face a um beijo, ou a muitos beijos, não faz com que tenhas tido uma má experiência. A experiência serve para que saibas do qual beijo gostas mais. Para que saibas o que te leva à felicidade. Tu mereces ser feliz. Porque feliz, é apenas outro adjectivo inventado pelos teus olhos.

Sir Albinoni

Simplemente porque é um grande compositor e simplesmente porque é uma grande música que me aflúi os sentidos. Invade-me a noite do pensamento. Tranquiliza. Hipnotiza. Escurece os mais cândidos pedaços de carne escondidos atrás da pele. Arrefece os ossos, aquece a alma e é assim:

O Fernando Pessoa tinha razão

Tudo o que faço ou medito
Fica sempre na metade.
Querendo, quero o infinito.
Fazendo, nada é verdade.

Que nojo de mim me fica
Ao olhar para o que faço!
Minha alma é lúcida e rica,
E eu sou um mar de sargaço.

 
Mas que verdade esta... Há dias em que o sinto na pele como o frio dos dias que correm, como a neve a congelar um corpo nu e despido da sua própria alma, do seu próprio sangue. Os anos passam, as rugas aparecem e a força vai faltando, a doença vai-nos talhado. Esteja onde estiver, mesmo que não esteja, espero que o Fernando Pessoa se tenha esquecido de dizer que nem sempre é verdade e, que se for, vale o esforço e a tentativa.
Poema: Fernando Pessoa
Foto: Little Zorra

The Real Chords

Sou uma apreciadora nata de música pesada. Muitas vezes olhado de lado, a verdade é que o metal emana em si uma essência deslumbrante, encantadora. "Apenas pessoas aos berros e sem qualquer tipo de beleza?" Nada  disso... Existe toda uma expressividade musical extremamente bela e complexa. O metal tem dentro do seu ramo vários estilos, dos mais melódicos e calmos aos mais extravagantes, que se conseguem adaptar às mais diversas situações e estados de humor. Existe ainda o enorme talento daqueles que o produzem: pessoas que tocam instrumentos e cantam como ninguém, com personalidades musicais únicas e autênticas. Além disso a música pesada consegue ser de tal forma apaixonante que consegue fazer valer a pena dar 50€ para ver um concerto, coisa que talvez num ou outro estilo musical não se note com tanta frequência.
Não desprezo de todo outros estilos de música, até porque acredito na liberdade musical  e sei que o mundo é grande e tem demasiadas coisas para desfrutar e gostar. Devemos sempre seguir aquilo que sentimos que nos faz bem e não o que achamos que nos faz bem, independentemente de rótulos certos ou errados. Quando compramos um medicamento, o rótulo é bom para que estejamos a par de uma ou outra informação, mas saber essa informação não nos cura, o importante é o medicamento em si e o efeito para o qual o tomamos. 
Assim somos nós, assim é a vida, assim é o amor, assim é a música.

Foto: 365 Days - Day 212 - By SMercury98

Just let it go

Nos que entram
Nos que ficam
Nos que vão
Nós crescemos


O frio começa a apertar cada vez mais e choveu torrencialmente durante toda a noite. Contudo, a manhã mostrou-se limpa e azul cor de céu. Com o passar dos anos, sou uma rapariga que podia ter seguido outros caminhos e conhecido outras pessoas, mas se há coisa sobre a qual ninguém tem escolha, é sobre o próprio nascimento, e isso acaba logo por trazer uma série de situações que nos estão inerentes. Outro facto, é que o ser humano é demasiado complexo, imprevisível em muitos casos, e isso levamos a não saber se somos compatíveis com esta ou aquela amizade, amor, conhecimento, etc.  
Após alguns dias a pensar no assunto, meti finalmente em prática a ideia de deitar algumas memórias fora. Palavras, gestos, sentimentos, situações, momentos que não fazem falta, coisas que já mudaram ou já não existem e que de algum modo não queria continuar a alimentar. Hoje, talvez tivesse mudado algumas atitudes, mas quem não gostaria de voltar atrás e mudar alguma coisa? Um mal comum entre todos. No entanto, tenho a certeza de que boas ou más, todas as experiências nos levam a algum lugar, ao nosso lugar. E concluo que se aquilo que sentimos e agimos não mudasse, seria um mau sinal de que não tínhamos crescido nem evoluído, e continuávamos naquele patamar cada vez mais atrasado e arrastado até à pura decadência. 
Simplesmente existem memórias que não vale a pena guardar ou alimentar, porque no dia em que nos libertamos delas, entram outras bem melhores. Crescer, deixar as coisas ir, fluir, qualquer uma destas palavras serve.

Eu sou do tempo...

- em que algumas pessoas não entendiam algumas coisas;
- em que ainda não tinha aprendido o suficiente sobre a importância que tem um fim;
- em que as pessoas preferem crer que há males que vêm por bem em vez de se assumirem que estavam erradas em relação ao que as levou à decadência, e voltam sempre ao mesmo ciclo vicioso em vez de tentarem realmente mudar;
- em que ainda não me tinha apercebido que quem cala, nem sempre consente;
- em que uma música, um objecto ou um animal tinha/tem o poder de iluminar o abismo;
- em que existiam gestos que eu era capaz de fazer;
- em que algumas verdades passavam da teoria para a prática;
- em que...

Que é feito de ti?

Que é feito de ti?
É uma verdade e um facto. São dois aspectos e dois é maior do que um, é mais forte. Se falo sobre ti com a chuva, é apenas a esperança  dessa chuva vir a molhar o teu corpo e não por saber que também lhe falas sobre mim. Eu pouco ou nada sei, invento. Pouco importa se mais ou menos à mesma hora ingerimos alimento, se ambos nos metemos dentro da banheira e vestimos roupa lavada, se somos humanos e existem muitos aspectos  que temos fatalmente em comum. Invento mil sonhos contigo dentro deles, porque de alguma forma isso me trás brilho ao olhar e reside em mim um incontrolável instinto de sobrevivência. Mas que é feito de ti? Nunca irei saber... és tão imprevisível como qualquer ser que se move sobre ou debaixo da terra e há muito tempo que aprendi que não se deve subestimar ninguém, nem mesmo nós próprios.

Texto escrito por mim
Foto: Federico Erra

Outro Poema


Sem saber quase nada,
deixo de acreditar que o destino,
somos nós que o construímos.
Deixo-me levar por ele, na esperança
 iludida dele nos trazer o que
queremos que ele traga e de ser
o que queremos que ele seja.

Não, não sou um ateísta morto
Ou a transformação de uma
Mentira em verdade.
Sou apenas um olhar vagabundo
A querer ver a certeza dos teus
Passos, antes de se fechar para
O mundo, na única verdade
Que é estar-se apaixonado.


 
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